Informações
Título do produto
“A pandemia não parou só o mundo, ela parou a vida da minha filha” : etnografando as consequências da pandemia de Covid-19 no cotidiano de famílias atravessadas pelo Vírus Zika em Pernambuco
Descrição do produto
Referência:
GARCIA, Júlia Vilela. “A pandemia não parou só o mundo, ela parou a vida da minha filha”: etnografando as consequências da pandemia de Covid-19 no cotidiano de famílias atravessadas pelo Vírus Zika em Pernambuco. 2022. 143 f., il. Dissertação (Mestrado em Antropologia Social) — Universidade de Brasília, Brasília, 2022.
Resumo:
Entre os anos de 2015 e 2016, o Brasil foi atravessado pela epidemia do Vírus Zika, cujo legado foi o nascimento de milhares de crianças com múltiplas deficiências e malformações fetais, quadro denominado, posteriormente, de Síndrome Congênita do Vírus Zika. As crianças acometidas pela Síndrome – em sua maioria residentes no estado de Pernambuco –, precisam de atendimentos terapêuticos e cuidados em tempo integral para se desenvolverem adequadamente e amenizar as graves consequências provocadas pelo Zika. Em prol do bemestar desses meninos e dessas meninas, as mães – que assumiram a figura de principal, quando não a de única cuidadora das crianças – abdicaram de si mesmas e passaram a viver suas vidas em torno de seus filhos e suas filhas, evidenciando o grande potencial de transformação do Vírus Zika nas rotinas das famílias. Incurável e imprevisível, a Síndrome Congênita do Vírus Zika fez com que a epidemia, embora arrefecida na mídia e no país, se tornasse uma emergência cotidiana e permanente para as mulheres e as crianças afetadas. Cinco anos depois, as mesmas famílias que sofreram as consequências do Zika, voltaram ao epicentro do risco com o advento de um novo vírus pandêmico, o Covid-19, uma grave doença respiratória que chegou ao Brasil no início de 2020. Diante de mais uma crise sanitária, as famílias, a fim de se protegerem do contágio viral, foram orientadas a ficar em casa e enfrentar a suspensão do atendimento terapêutico de suas crianças nas instituições de saúde. Junto a isso, o desemprego, a fome, a piora no quadro de saúde desses meninos e dessas meninas e a sobrecarga do trabalho doméstico sobre a figura materna se fizeram presentes como consequências da atual pandemia. A partir da etnografia digital, tendo em vista a necessidade de se cumprir o distanciamento social para a contenção do Covid-19, acompanhei, ao longo de um ano, nove famílias de Pernambuco que foram atravessadas pela epidemia de Zika e, agora, pela pandemia de Covid-19, etnografando seus relatos, angústias e demandas frente ao novo cenário estabelecido em suas vidas. É com base nas histórias das interlocutoras, cujas narrativas de sofrimento são bastante particulares, que pretendo analisar e refletir sobre as possíveis consequências e transformações operadas pelo encontro desses dois eventos epidêmicos – Zika e Covid-19 – em um mesmo e único segmento da população. Argumento que, embora essas famílias se esforcem para evitar o contato com o novo coronavírus, fica evidente como a atual pandemia, a partir das lacunas deixadas pela carência de políticas públicas e atenção do Estado, invade os mais diferentes contextos e se emaranha nas rotinas de mães e crianças com a SCVZ, as quais se tornam duplamente afetadas.
Autor(es) do produto
Júlia Vilela Garcia
Unidade acadêmica da UnB
Assunto/palavras-chave representativas do produto
Zika vírus - Covid-19 - Etnografia digital - Epidemia do Vírus Zika - Síndrome Congênita do Vírus Zika (SCVZ)
Público alvo
Data de Produção do produto
abril 29, 2022
Tipo do produto
Comunicação científica
